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A.A.R.

Abr 28Mai 26

de Sérgio Leitão e Sério Fernandes
Curadoria de Eduarda Neves

A. A. R.
Não duvides que o amor possui algo similar à amizade: que se possa dizer aquele afecto ser uma amizade enlouquecida. A questão do futuro da revolução é uma má questão, pois enquanto cada um de nós a vai colocando, há muitas pessoas que não se tornam revolucionárias.
Está feita precisamente para isso, para impedir a questão do devir-revolucionário das pessoas, a todos os níveis, em qualquer lugar. 1820. 1974. 2018. Enquanto amanhece, em frente à Igreja de Sto. Ildefonso, um quadro artístico cinematográfico vai sendo construído a partir de um poema de Almeida Garrett dedicado ao dia 24 Agosto de 1820, a revolução liberal do Porto.
Entre o fim do absolutismo, momento no qual os eixos do universo estremeceram, e o fim do regime ditatorial do Estado Novo, abrem-se as portas da história. É fora da Lei e da ordem cinematográfica que esta obra, desestabilizando códigos e modos de representar, transforma as combinações do desejo e enuncia a história de um liberto povo. Sério Fernandes está sempre onde nunca o esperamos.
Na arte, como na vida, é sempre de um combate que se trata. . Explorando as ligações entre arte e contexto, história e política, La vie au grand air constrói-se através da espacialização de imagens que se afirmam, elas mesmas, como linhas de força. Constelações semióticas de naturezas múltiplas potenciam as relações descontínuas entre limite e transição, público e privado.
Nesse vaivém, deslocamo-nos entre códigos denotativos, conotativos, perceptivos e retóricos. A liberdade que Sérgio Leitão nos permite é condicional. Dominar este espaço assume-se como um processo através do qual toda a reapropriação se torna fundamentalmente num risco a ser partilhado. Porque desarmados nos encontramos, mobilizar um percurso tornado nosso pode ainda ser condição para uma outra cartografia.
Neste espaço expositivo anuncia-se a inesperada proximidade entre imagens aparentemente sem relação. Estão na margem, onde os lugares ainda não têm nome. Como uma tarefa filosófica, não sabemos onde nos podem levar. O amor e a amizade tornam-se máquinas revolucionárias e práticas ofensivas de insurreição através das quais, como disse Paracelso a propósito da relação entre doença e cura, simili similibus curantur, os semelhantes cuidam os semelhantes. Nada a dizer. Tudo a fazer. O tempo é sempre um agitar. 1820. 1974. 2018.
A de amor. A de amizade. R de revolução.
(Eduarda Neves 28 de Abril, de 2018)

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