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A casa já não é casa para quem morar saber mais do mundo

22 Mar, 201419 Abr, 2014

Felícia Teixeira e João Brojo, Tiago Cruz, Jeremy Pajeanc, José Martins Leite

 

Curadoria de José Maia, Ana Carolina Frota, Patrícia do Vale, Rita Breda, Suzana Torres Corrêa-

 

Neste quinto momento do projeto artístico desenvolvido para o Espaço MIRA convocamos a construção, a desconstrução e a recuperação arquitetónica. Observa-se aqui o potencial das casas, fábricas, armazéns e outros espaços deste território, com ênfase nos materiais que os compõem e nos rodeiam. Com as obras de Felícia Teixeira e João Brojo, Tiago Cruz, José Martins Leite, e Jérémy Pajeanc, apresenta-se um novo olhar sobre estes armazéns e a cidade do Porto. A exposição inicia-se na própria Rua de Miraflor, à entrada do Espaço MIRA. Visível a partir do exterior do espaço expositivo, o vídeo de Felícia Teixeira e João Brojo apresenta as ilhas desta rua projectadas nas portas do Espaço Mira, condensando nesta tela a heterogeneidade destas vivências. As ilhas – forma de habitação operária característica da cidade do Porto, massificada com a industrialização no final do século XIX – revelam uma arquitectura de partilha e adaptação. Por meio da projecção e de um conjunto de publicações esta dupla de artistas convida o visitante a entrar neste universo habitacional e olhar atentamente para os elementos que o compõem. Estas imagens revelam em cada porta, cada janela, cada cor, a criatividade nas soluções para os problemas do habitar actual. Após esta visita que nos remete ao início da industrialização da cidade deparamo-nos com a arquitectura no seu impulso modernista. Mudamos de escala e passamos à alusão a uma grande construção, o Coliseu, e somos transportados para a vista de cima para baixo ou de baixo para cimada rua Passos Manuel. Para trabalhar o Coliseu, Tiago Cruz parte da imagem fotográfica do edifício e
transforma-o novamente em projecto. O edifício volta para a mesa de trabalho no atelier, onde passa por um processo de desconstrução e reconstrução. Agora, dentro do espaço expositivo, os objectos e o monumento ganham novos contextos. Diante da obra estamos no interior que, contudo, nos remete ao exterior. A presença da luz e dos suportes próprios da escultura, ou a sombra desenhada pelas formas, remetem para o desenho da luz na arquitectura da cidade. Pela inversão, incompletude e substituição de materiais, estes trabalhos convocam a nossa capacidade de reconstituição, processo paralelo ao da recuperação, que por subtracção ou adição assistimos hoje, fazendo ainda referência à importância de um elemento como o Coliseu, no interior de um organismo em constante mudança, como é a cidade. Da construção monumental passamos à intimidade da construção interior, num apontamento que exige a nossa aproximação para nos determos numa montagem de imagens fotográficas de pequena escala que Jérémy Pajeanc nos propõe. Um espaço desabitado que dialoga com o espaço que o artista habita no Armazém 4. Ao fundo da sala deparamo-nos com uma composição ao nível dos nossos pés, sobre o pavimento, como que própria do lugar, construída com diferentes materiais de diferentes espessuras, texturas e cores, num jogo de transparências e opacidades, que por meio de iluminação artificial reflecte o espaço envolvente e compõe um novo, que se estende pela janela em frente. A recuperação dos armazéns onde hoje habita o Espaço MIRA deu-se em diálogo com o passado, deixando inscrito nos materiais as marcas do tempo e dos processos construtivos, com os quais José Martins Leite vai dialogar. Na multiplicidade dos
materiais vemos a multiplicidade das imagens, os vários tempos que estão para além da materialidade. Ao fim do percurso encontramos espelhado na porta posterior o ponto de partida, a entrada e a projecção de Felícia Teixeira e João Brojo. Um percurso pela experiência do lugar, da rua à cidade, da escala da habitação operária ao monumento, da arquitectura aos seus materiais.
A exposição estende-se ainda ao armazém 4, que se mantém inalterado apesar das intervenções de manutenção. Com os elementos presentes neste espaço, Jérémy Pajeanc vai dialogar com o passado utilizando materiais de construção, numa intervenção em que nos apresenta diversos enquadramentos. Vamos redescobrir este armazém e ser convidados a olhá-lo como que pela primeira vez. As telhas, o gesso, o grafite, os resíduos do solo, o betão, os azulejos, os espelhos, são materiais que nos revelam um jogo entre interior e
exterior. O artista apresenta construções que convocam o espaço exterior no interior do armazém, espaços devolutos sobre os quais actua, desenhando janelas que sublinham uma abertura do espaço, pelo seu negativo. Num segundo momento de apresentação de performance, durante a finissage, que marcará simultaneamente a inauguração da homenagem a Marguerite Duras, Jérémy Pajeanc irá convocar, por
meio de novos enquadramentos e no mesmo espaço, o universo da escritora e realizadora.

PROGRAMA:

Performance
Num gesto habito o que é ordem de Jérémy Pajeanc
22 Março e 19 Abril de 2014 às 17h


Ciclo de conferÊncias
Cinema de Eric Rohmer po”A casa já não é casa para quem morar saber mais do mundo” Jorge Leandro Rosa.
29 Março de 2014 às 16h


Ciclo de cinema
“A inglesa e o duque” de Eric Rohmer
O Cinema e Fotografia na obra de realizadores e fotógrafos
29 Março de 2014 às 17h


Ciclo de conversas
Amanheceu enquanto conversávamos
Conversas entre os artistas, os curadores e o público.
19 Abril de 2014 às 18h


Rua de Miraflor, 159,
4300-334 Campanhã, Porto

terça a sábado,
15:00 às 19:00


espacomira@miragalerias.net
929 113 431 / 929 145 191