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A riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade

11 Jan, 20148 Fev, 2014

Cristina Regadas, Diana Carvalho, João Marçal, Miguel Leal, Limamil, Nuno Ramalho, Eduardo Matos.

 

Curadoria de José Maia, Ana Carolina Frota, Patrícia do Vale, Rita Breda e Suzana Torres Corrêa.

 

A fotografia expande os seus limites e complexifica a sua linguagem pelo contacto, incorporação e interferência com outras práticas artisticas, desde meados do século passado. Este ultrapassar de fronteiras promove um alargamento das percepções espacio-temporais, incorporando no ato fotográfico manifestações que antes eram específicas da dança, teatro, cinema, pintura, etc. Tal expansão deve-se a influências de diferentes meios, tecnologias e desdobramentos, que alargam também as próprias concepções da imagem. Ao considerar que a dilatação do campo da fotografia se deveu também, ao desenvolvimento e experimentações de tecnologias, a exposição “A riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade” pretende convocar a história da fotografia através do contacto com a imagem fotográfica em diferentes origens, suportes, processos, associações e dispositivos. Os trabalhos expostos procuram mostrar esta diversidade tanto no âmbito da produção, como na reprodução e exibição das imagens. Os artistas criam fotografias-esculturas, instalações, cruzam diferentes elementos e criam pequenos sistemas que implicam a consciência de que a fotografia é muito mais do que apenas imagem. Numa sequência de imagens, pela repetição de um gesto padronizado, quer seja na pintura quer seja no ato de fotografar, João Marçal revela-nos a diferença na repetição e a introdução do erro, questionando a representação através de imagens falsificantes. Nuno Ramalho devolve-nos a imagem fotográfica do verso do busto de esculturas figurativas que habitam o espaço púbico ao retratar o reverso da imagem em planos bidimensionais para depois os converter, de novo, em objetos escultóricos. Diana Carvalho instala um conjunto de imagens de diferentes origens, agrupadas por categorias definidas pela própria, destacando-se neste caso a ideia de reflexo, negativo, duplicação, brilho, luz e invisibilidade – a estas imagens, por vezes, podem-se juntar objectos com características semelhantes, trazidos do atelier, de casa ou da rua, os quais a artista relaciona no espaço por meio das suas características cromáticas e formais. Miguel Leal apresenta uma instalação que fragmenta e multiplica a imagem com um jogo de projeções e espelhos, trabalhando a ideia de viagem em direcção ao desconhecido e de suspensão da realidade, a partir de imagens recolhidas ao longo do tempo. Remete-nos à origem da pintura e da criação de imagens nas grutas de Lascaux, onde os traços dos homens que estão/estavam presentes aparecem como vestigios por meio de projeções. Limamil, ao explorar as capacidades técnicas dos dispositivos de criação e apresentação da imagem fotográfica, integra-as nas suas obras conectando fotografia e objeto em trabalhos tridimensionais e escultóricos. Cristina Regadas desenvolve um registo fotográfico diário – em constante crescimento – que dá conta de um mundo inundado de imagens, onde o olhar é sempre subjetivo, já que as imagens fotográficas apelam a valores plásticos: enquadramento, gama cromática, ou mesmo a não-fotografia nas imagens que integram o erro. Por fim, através da criação e da apropriação de imagens fotográficas, Eduardo Matos constrói, em vídeo, uma cartografia da memória, do território e dos seus habitantes, partindo da análise de um arquivo de imagens sobre os locais observados.
Estes trabalhos reinvidicam a importância das relações entre obra, espaço e observador, tão caros à fotografia e às práticas artisticas contemporâneas, lembrando-nos que pensar a fotografia é pensar o olhar, o objeto, o espectador, as imagens e o mundo.

 

PROGRAMA:

Patente de 11 de janeiro 2014 a 8 de fevereiro de 2014

“Amanheceu enquanto conversávamos” sobre a exposição “A riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade” | 1 de fevereiro de 2014

Pedro Costa por Cristina Mateus e Miguel Leal”, moderação de Sara Branco | 18 de janeiro  2014

“As Diferidas: memória, autoria, fotografia” por Eduardo Brito | 1 de fevereiro 2014

Finissage da exposição “A riqueza múltipla e multiplicadora da ambiguidade”| 8 de fevereiro 2014


Rua de Miraflor, 159,
4300-334 Campanhã, Porto

terça a sábado,
15:00 às 19:00


espacomira@miragalerias.net
929 113 431 / 929 145 191