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Tudo é outra coisa

15 Fev, 201415 Mar, 2014

Arlindo Silva, Luís Fortunato Lima, Cecília Albuquerque, José Almeida Pereira, Filipe Cortez e Francisco Babo.

 

José Maia, Ana Carolina Frota, Patrícia do Vale, Rita Breda,Suzana Torres Corrêa

 

O Espaço MIRA inaugurou no dia 15 de Fevereiro 2014, pelas 16 horas, o quarto momento do projeto artístico que propõe pensar a fotografia nas suas múltiplas vertentes. Este momento, intitulado Tudo é outra coisa, pretende explorar a relação entre a fotografia e a pintura, e apresenta obras de Arlindo Silva, Luís Fortunato Lima, Cecília Albuquerque, José Almeida Pereira, Filipe Cortez e Francisco Babo.
As imagens apresentadas na exposição “Tudo é outra coisa” são imagens de imagens, que pretendem pensar a influência da fotografia na pintura, a referência na pintura à fotografia, a citação, a apropriação, a duplicação da imagem e a produção de uma imagem pintada a partir da imagem já existente num outro medium – a fotografia. A necessidade de remeter para imagens preexistentes, para imagens que já foram publicadas, que já foram criadas por outros, revela uma determinada atitude em relação à produção de arte enquanto acto tanto de selecção como de invenção.
As obras patentes propõem uma reflexão sobre o que é ver e fazer imagens. Qual é o significado da fotografia para a pintura, e o que faz a pintura com ou a partir da fotografia? Ao ser traduzida para a pintura, a condição fotográfica fica sublinhada – os cortes, os pontos de vista distorcidos, tudo o que surge incompleto devido às suas circunstâncias técnicas – num outro suporte que tem a capacidade de superar a contingência pela criação de outro contexto.
A duplicação da imagem fotográfica por uma imagem pictórica traduz um medium constituído de modo indicial, que assenta sobre uma relação mais ou menos linear de causalidade entre a imagem e o seu detonador, para um medium de carácter icónico que outorga ao artista toda a liberdade para instituir semelhança ou dissemelhança entre a imagem e o seu objecto. Perante uma lógica predefinida pela imagem fotográfica, que de certa maneira já estava composta, a pintura ganha a liberdade de decisão.
Arlindo Silva parte da fotografia para dar conta da condição existencial. Pela saturação de informação na imagem – possibilitada pelos múltiplos focos – estamos perante uma híper visão que presentifica, para além da performance da personagem, os elementos que constituem a imagem. Luís Fortunato Lima utiliza a pintura como forma de síntese da imagem fotografada. Fotografias – essencialmente do Vale de Campanhã – são tratadas digitalmente e impressas com qualidades variáveis para ganharem outros valores cromáticos. Trabalhando estas imagens na pintura, dá-nos o anoitecer com o negro que toma conta da paisagem a partir do lugar do observador, o que adiciona passado à imagem. José Almeida Pereira convoca para a pintura questões de óptica, geometria descritiva, câmara clara e câmara escura ao dar-nos a distorção nas imagens pela sobreposição e diferenciação de pontos de vista fotográficos. Cecília Albuquerque irá utilizar técnicas de pintura para interferir em todo o tipo de imagens das quais se apropria, desde reproduções fotográficas de pinturas, aos postais, folhetos, imagens de jornais, de divulgação e publicidade. Por meio desta intervenção a artista questiona a linguagem destas imagens e o papel delas na sociedade. Filipe Cortez cria, partir da representação fotográfica de fungos, uma obra site-specific que reflete o tempo, a precariedade e o orgânico que habita os espaços, num estreito diálogo com a arquitetura. Francisco Babo cria uma instalação site-specific com elementos pictóricos, fotográficos e escultóricos, refletindo o espaço e as paredes que tendem para o neutro.
A fotografia proporciona imagens carregadas de significado. Confirmar esse significado na pintura permite apreendê-lo de uma outra forma. Através da acção do pincel o acesso ao mundo proporcionado pela fotografia é reconfigurado ou desfigurado. Por meio de elementos técnicos e particularidades da fotografia e da pintura, pretende-se, neste quarto momento do projeto, trazer novamente ao Espaço MIRA obras de artistas de diferentes gerações, que reafirmam a cidade do Porto e a região de Campanhã.

 

PROGRAMA:

Patente de 15 fevereiro 2014 a 15 de março 2014

ciclo de cinema
Mãe e Filho de Alexander Sokurov
22 Fevereiro de 2014 às 17h
Ciclo de conferÊncias
Cinema de Alexander Sokurov por Jorge Leandro Rosa.
22 Fevereiro de 2014 às 16h
A relação entre pintura, desenho e fotografia por Arlindo Silva, José Almeida Pereira e Luís Fortunato Lima
08 Março de 2014 às 16h
Ciclo de conversas
Amanheceu enquanto conversávamos
Conversas entre os artistas, os curadores e o público.
08 Março de 2014 às 17h30
percurso pedestre
Pichagens políticas em Campanhã pelo artista José Oliveira.
15 Março de 2014 às 15h


Rua de Miraflor, 159,
4300-334 Campanhã, Porto

terça a sábado,
15:00 às 19:00


espacomira@miragalerias.net
929 113 431 / 929 145 191