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Deep inside

14 Fev, 201514 Mar, 2015

de Andre Martus

“Nenhuma língua melhor do que o inglês exprime com mais clareza e com mais contundência um sentimento de máxima profundidade; uma profundidade inexplorada e obscura, onde se encontram confinados os mais guardados de sejos e temores da psique humana. Usando a tradução de “Tief im Inneren”, em alemão, em Dativo, desejaria unicamente a interpretação no sentido de objeto indireto de lugar situacional “de onde?”, enquanto a outra versão, em Acusativo “Tief ins Inneren”, significaria o objeto indireto de lugar direcional, “para onde?”. Em ambos os casos seria uma interpretação insuficiente. em Castelhano, ao contrário, teria que dizer “profundamente dentro”, o que também não é exatamente o conceito sobre o qual se ergueu todo este projeto. Todo aquele que quiser submeter-se à aventura de permitir-se apreender o seu “Dentro”, necessita forçosamente de um “Fora”, um córtex que o envolva todo e daí partir para a imersão. Em forma de chapa, acidentalmente queimada, recozida, com múltiplas marcas e feridas na sua superfície, encontrei, depois de um violento incêndio no terraço de de um amigo, a pele de que necessitava. Uma pele que me inspirava para revelar tudo quanto há escondido debaixo da proteção de qualquer pele. Era uma pele morta, destruída. Metida num monte de cinzas e privada da sua original utilidade; assim transformada, aparentemente, já não serviria para nada. Mas não é precisamente ali, neste ponto, diante da imagem da destruição incomensurável, que a criação empreende o seu caminho e faz com que surja um novo esplendor das ruinas devastadas? Vi diante dos meus olhos e senti entre os meus dedos como, desta matéria prima inerte, emergiam formas e volumes que essa pela queria descrever, à margem da minha vontade. Mas o que está encerrado debaixo da pele? Não são, por acaso, um punhado de desejos e temores, isolados no mais fundo, debaixo da nossa pele, os que nos caraterizam, a cada um, na sua condição humana? Os nossos desejos não vividos, inconfessados; os que nos empurram, uma vez e outra, para voltarmos a levantar a cabeça, a continuar lutando, a continuar construindo, a continuar vivendo. Os mesmos desejos que buscam incessantemente superar os temores, opostos a eles e igualmente inconfessados e, talvez, igualmente confinados ás mesmas trevas interiores. De este baile entre os dois antagonistas, irremediavelmente condenados a permanecer unidos, ao som cíclico e rítmico da eterna transformação da matéria, nasce esta obra.” (Andre Martus)


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