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Douro: A terra e o tempo

7 Nov, 2015

de Manuela Matos Monteiro e João Lafuente

As andanças da exposição até ao MIRA
No ano em que se comemoraram os 250 anos da Região Demarcada do Douro (2006), os dois fotógrafos foram convidados a realizar uma exposição que assinalasse a data. Partindo dos elementos físicos e humanos da região, organizaram uma exposição de fotografia que foi apresentada, entre outros, nos seguintes espaços/instituições: – Assembleia da República – integraram a exposição coletiva “O Douro no Tejo” com José Rodrigues, Siza Vieira e Gracinda Candeias; – Parlamento Europeu (Bruxelas) – exposição que integrou a semana dedicada ao Douro – Maputo e Beira em Moçambique – exposições realizadas a convite do Instituto Camões – Paris e Bordéus – exposições realizadas a convite do ICEP – Várias zonas do Douro a convite de Câmaras Municipais e/ou outras instituições culturais – S. João da Pesqueira, Lamego, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mêda, Armamar … Esta exposição fez duas aparições no Porto: no Douro Harvest Film e no AXA (Campo Alegre) A Casa das Artes acolheu uma outra exposição “Douro: vindimas” que inaugurou no Museu de lamego e que por terras durienses viajou Porto, 7 de novembro 2015.

DOURO A terra e o tempo
O Douro é um rio tão forte que deu nome a uma região. Passados os desfiladeiros graníticos o Douro corre por entre encostas talhadas em socalcos, em que todos os lugares secos e áridos foram fabricados para plantar vinha. Montes e vales, desenhados por séculos de trabalho, moldaram encostas e acalmaram desníveis. Fiadas de vinha desenham linhas, produzem formas que vão para além da geometria disciplinada. Os muros de xisto, construídos nos mais improváveis espaços, sustentam e acarinham a vinha formando uma arquitectura monumental. O sol impiedoso de Verão transforma os verdes, ora intensos, ora difusos da Primavera nos tons vermelhos e amarelos do Outono. É o tempo das vindimas marcado pelo sobe e desce dos socalcos. É às mulheres que cabe vindimarem uva bonita e madura. Subindo e descendo os degraus amparados por paredes de xisto, os homens carregam às costas baldes de uvas que depositam em camionetas estacionadas em caminhos de terra batida. Em lagares de granito as uvas são ainda, em muitas quintas, pisadas por grupos de homens e mulheres. Em passo cadenciado e ritmado pelo som da concertina deambulam de trás para a frente, horas a fio. Noutros lagares os pés humanos são substituídos pelas pás dos robots que, em fila, reproduzem o percurso e a cadência do pisar humano. Dispensa-se a concertina porque o ritmo é assegurado pela cadência de um programa informático. Mas a cor é a mesma, o aroma é o mesmo, o mistério é o mesmo. Pouco a pouco as uvas vão perdendo a forma adquirindo um tom novo e único numa mistura de cores que convocam ao mesmo tempo o vermelho das cerejas, o magenta das ameixas, o roxo das amoras. Lentamente os aromas sobem de tom, cheirosos. Dos vinhos se dirá mais tarde que são austeros, elegantes, distintos, finos, equilibrados, vaidosos, discretos… adjectivos que se dão a gente de carne e osso. Há 250 anos, há um tempo que escapa ao tempo: o ciclo da vinha inscreve-se no tempo da natureza, da agricultura. Marcado pelos solstícios e pelos equinócios socalcos e patamares mudam de cor oferecendo, ciclicamente, novos cenários. Há um tempo que habita este espaço: o tempo da terra, o tempo do Douro. (Manuela Matos Monteiro/João Lafuente, Setembro 2006)


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