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Exposições virtuais durante a quarentena

Abr 27

22 abril 2020
Rui Apolinário, “Primitive reason ou a razão antes das coisas”
“Regresso inúmeras vezes a um mesmo lugar. Tantas são as vezes que o mundo chega a caber numa deambulação claustrofóbica de idas e voltas onde a “casa” passa a ser lugar indistinto.”
(Rui Apolinário | excerto do texto de apresentação)
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25 abril 2020
Alfredo Cunha, “A idade da inocência: memórias a preto e branco”
Alfredo Cunha é o autor das fotografias mais icónicas da Revolução de Abril. Para muitos que não viveram esse tempo, a representação do 25 de Abril são as fotografias dele. Está em Lisboa, tem 20 anos e uma máquina fotográfica analógica, com filmes 35mm a preto e branco.
Nesses dias de vertigem, mora na rua, acompanha os militares apeados ou em tanques, espreita vielas, casas e garagens, acompanha o espanto das pessoas que vão progressivamente ocupando os espaços públicos. O olhar dos militares, sublinhado noutras fotografias da altura, é de uma ingenuidade boa e promissora.
Repete desde então “Daquele dia, não guardo memórias porque, para mim, 25 de Abril de 1974 foi ontem. É uma sensação estranha que eu tenho, mas uma sensação mesmo real! Foi o dia mais feliz da minha vida!”
Nesta exposição virtual, o autor apresenta um conjunto de 21 imagens sendo a maioria (19) inéditas.
(O título da exposição foi sugerido por Teresa Pinto de Almeida)
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29 abril 2020
Filipe Carneiro, “No cosmos: do micro ao macrocosmos”
Quando convidámos o Filipe Carneiro a enviar-nos um trabalho de fotografia, para uma exposição individual on line, perguntou-nos qual o género que nos interessaria. Manifestámos a nossa preferência: fotografias captadas durantes a quarentena, fossem hospitalares ou outras.
Quando recebemos o ficheiro, encontrámos colegas de trabalho em ambientes que associámos à pandemia e espaços urbanos desertos. Era o que esperávamos. Mas vinham imagens captadas de noite escura com brilhozinhos humildes. A fotografia de um telescópio permitiu-nos identificar essas imagens com a astronomia. Pedimos esclarecimentos ao Filipe e ficámos a saber que o cirurgião cardiotorácico e fotógrafo é, desde há muito, um astrónomo amador. Faz parte da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores (APAA) e dedica-se há algum tempo à fotografia astronómica. Falou-nos com entusiasmo – o mesmo quando nos fala das intervenções cirúrgicas – do espanto que a noite imensa lhe proporciona. A norte, as condições não são tão favoráveis como mais ao sul, no Alentejo mas isso não o impede passar noites entre folgas na Serra da Freita e no Monte de Santa Justa. As imagens que constam desta exposição foram captadas neste tempo de quarentena com o distanciamento social total porque são peregrinações solitárias. Percebemos que o Filipe navega entre o microcosmo capilar e o macrocosmo sem limites, dois mundos que se compatibilizam e complementam ligados pela curiosidade e o deslumbramento pelas coisas da vida.
(Manuela Matos Monteiro)
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1 maio 2020
Paulo Pimenta, “as vozes | os corpos | as ruas”
A pandemia trouxe uma experiência humana coletiva inédita pelo seu carácter radical, letal e universal. O contágio deixou de ser um conceito para ser uma probabilidade tão palpável que não podemos tocar sem sobressalto coisas e pessoas. Mas são as ruas, desprovidas de gente, o mais evidente sinal da situação extraordinária que vivemos. As fachadas estão caladas como se as casas tivessem passado a ser lugares de reclusão e não de acolhimento. Nas ruas habita o silêncio que nos deixa ouvir os pássaros mas o seu canto não é bom augúrio e por isso não nos traz contentamento. O MIRA organizou um programa on line intenso e diverso no 25 de Abril e no 1º de Maio porque é assim que fazemos todos os anos e a excecionalidade do momento justificou uma intenção ainda maior em celebrar o Dia da Liberdade e o Dia do Trabalhador. Pedimos ao Paulo Pimenta que nos trouxesse a rua com gente, não uma seleção de imagens de outros 1º de Maio, mas ruas com gente dentro, com vozes, com corpos a gritar, a cantar, a protestar, a celebrar. E aqui está a rua inteira em protesto contra a troika, em luta pelos direitos das mulheres, dos migrantes, dos trabalhadores, a agitar a bandeira de grandes causas, a celebrar a Liberdade, a festejar as conquistas que a pulso se vão alcançando. Nestes dias de recolhimento, não podemos correr o risco de perdermos o sentido dos outros fechando-nos num medo e auto proteção individual, egoísta. O sentido de comunidade a envolver os outros – próximos e longínquos – é um bem maior que temos de proteger e cultivar. As fotografias do Paulo lembram-nos momentos em que fomos muitos em que fomos comunidade. Queremos recuperar as vozes, os corpos, as ruas em protesto e em celebração.
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6 maio 2020
Luís Veloso  “Estranhos tempos estes”
Luís Veloso é médico neurologista no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e tem vivido esta pandemia em contexto hospitalar embora não diretamente ligado à patologia do Covid 19. “Estranho” é palavra mais usada quando o ouvimos a dizer a situação que tem vivido. E, para si, todas as palavras sinónimas de “estranho” se ajustam a este tempo – extraordinário, desusado, anormal, esquisito, singular, alheio, excessivo, esquivo, repreensível, insólito, excêntrico, inusitado, especial, incomum … O médico estranha tudo neste estranho tempo: a ausência dos doentes que não estão infetados, os doentes sozinhos sem família por perto, os corredores vazios, o silêncio que não apazigua … Os sentimentos são contraditórios porque, se por um lado este estado estreita laços entre os profissionais unidos por uma mesma preocupação, por outro, afasta porque as equipas estão fracionadas, porque não há reuniões em que a proximidade e o face-a-face dizem muito mais do quando mediados pelos ecrãs de computador e telemóvel, porque os encontros são fortuitos, tensos e apressados. Luís Veloso desde o início da pandemia tem recolhido imagens para o que chama de “Covidiário” usando uma pequena camara digital. Diferentemente do que é habitual – faz pouca edição, intervém pouco no produto das suas capturas – o fotógrafo recorre ao telemóvel para editar de forma intensa e carregada, com tons fortes, abusando intencionalmente do “sharp”. Associa a forma estranha de editar à forma estranha da vida que é mais intensa, mais carregada com um “sharp” que magoa e fere. (Manuela Matos Monteiro)
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9 maio 2020
Adelino Marques “Pelos caminhos das pedras”
A série “Pelos caminhos das pedras” é habitada por formações rochosas captadas por Adelino Marques em diferentes locais: Serra d’Arga, Serra da Aboboreira, Serra do Marão, Serra do Alvão, Serra da Freita, Serra de Montemuro e Praia de Lavadores. Ao aceitarmos o desafio de fazermos este caminho das pedras, percebemos que não importa a localização geográfica nem quando aconteceu o registo das imagens. O ponto de vista e a perspetiva escolhida transforma estas massas de rocha em grupos escultóricos a lembrar os trabalhos de Henri Moore levando-nos tentar adivinhar e identificar o que são, quem são aquelas formações ora redondas ora cortantes, isoladas ou copuladas, plantadas no chão ou em equilíbrios instáveis. Estão sós, desabitadas porque destas paisagens não consta a presença humana e os apontamentos vegetais são irrelevantes. A proposta que nos é feita está à partida determinada pelo olhar do fotógrafo que não nos deixa sair do foco acentuado por uma moldura que limita propositadamente o nosso campo de visão. E olhando as imagens num tempo de quarentena, estas paisagens aparecem como uma metáfora ao confinamento que vivemos hoje, reféns de nós, reféns dos outros. Há um subliminar convite à introspeção, a um certo cismar sobre a solidão, sobre a finitude e, sobretudo, sobre o tempo. A quietude destas paisagens lembra que talvez seja preciso desacelerar, reclamar o tempo para que o nosso caminho das pedras seja sentido, pensado, vivido. (Manuela Matos Monteiro)
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13 maio 2020
Rui Ochoa “A China dos anos 80”
Quando convidámos o Rui Ochoa a propor uma exposição para o MIRA FORUM on line, entre outras propostas nomeou um trabalho com imagens captadas na China em 1986 que consideramos. São muitas a razões desta escolha.
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16 maio 2020
Coletivo “Thin Line”
O projeto “Thin Line” procura refletir, a partir do território de fronteira, sobre o significado da Europa de hoje, pondo em evidência os desafios de habitar um espaço único, com ritmo e tempo distintos.
Esta proposta é apresentada pelo Colectivo uma plataforma comum de pesquisa e produção dos fotógrafos Lara Jacinto, Miguel Proença e António Pedrosa
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20 maio 2020
Narrativas Visuais da Quarentena | Visual Narratives of the Quarentine

A pandemia apanhou-nos a todos de surpresa. De repente, a humanidade vive uma situação nova a nível global para a qual não tem resposta e que interferiu de forma radical no nosso modo de vida. Passámos a viver um tempo de passagem, um tempo fraturado e fraturante em que sair para a rua ou frequentar um espaço público passa a ser perigoso, em que abraços e beijos são interditos porque portadores potenciais do mal. O incomum, o estranho apodera-se das nossas vidas que têm de ser repensadas, reabilitadas no contexto do confinamento. A casa passa a ser o território quase exclusivo onde a vida se desenrola criando-se uma nova cumplicidade com o espaço doméstico. A vida ativa, acontece nos diferentes ecrãs que nos dão acesso à informação e à interação social.
Face à perplexidade que nos assaltou, e que para os fotógrafos assumiu especiais inquietações, a galeria MIRA FORUM propôs-se através de um grupo no facebook – Narrativas Visuais da Quarentena 2020 | Visual Narratives of Quarentine 2020 – constituir um arquivo fotográfico a partir das fotografias do confinamento procurando que os seus membros explorassem fotograficamente um novo lugar, um novo cenário, uma nova paisagem: a casa e o pequeno mundo disponível nas breves saídas precárias. Todos e cada um foram descobrindo que afinal “tudo é outra coisa” e que os objetos e fazeres vulgares e sem graça proporcionavam, afinal, sugestões estéticas estimulantes. O mural do grupo passou a ser povoado por utensílios que até então só conheciam a sua funcionalidade na cozinha, por pormenores de cantos da casa que sempre estiveram agasalhados pela sua invisibilidade, pelos animais de companhia, pelas sombras desenhadas pelas luzes … As imagens captadas e publicadas devolveram-nos um quotidiano quase poético que a rotina dos dias atarefados não deixava descobrir.
Pela primeira vez na sociedade moderna, há um vírus “sem pecado” diferente da SIDA e do Ébola que afeta todos os países e todos os seres humanos são potenciais vítimas e assim, a ideia de humanidade tornou-se mais evidente. A partilha dos medos, das emoções, dos lutos trouxe também atos solidários seja na cooperação na investigação, na gestão de recursos, na produção coletiva de cultura e modos de fazer. As redes sociais foram um instrumento de socialização que permitiu atenuar os efeitos do confinamento inscrevendo-nos num mundo mais próximo e mais global.
Não sabemos como vai ser e quando vai ser o futuro. Não sabemos se daqui a uns tempos não teremos uma certa nostalgia deste tempo contido, confinado mas ao mesmo tempo solidário e a mostrar quão criativa e produtiva é a humanidade.
Termos contribuído com este grupo para este espírito ao juntar trabalhos de fotógrafos de tantas partes do mundo é para nós um motivo de alegria e orgulho. (Manuela Matos Monteiro)

Visual Narratives of the Quarantine 2020

The pandemic took us all by surprise. Suddenly, humanity is experiencing a new global situation to which it has no response and which has radically interfered in our way of life. We have experienced a time of passing, a fractured and fracturing time in which going out into the street or visit a public space becomes dangerous, in which hugs and kisses are forbidden because they may be potential carriers of evil. The unusual, the strange takes over our lives that have to be rethought, rehabilitated in the context of confinement. The house becomes almost the exclusive territory where life unfolds, creating a new complicity with the domestic space. The active life happens in the different screens that give us access to information and social interaction.
In the face of the perplexity that assaulted us, and that for the photographers took on special concerns, the gallery MIRA FORUM proposed through a group in facebook – Visual Narratives of Quarentine 2020 – to create a photographic archive from the photographs captured during confinement of its members, to photographically explore a new place, a new scenery, a new landscape: the house and the small world available in the brief, precarious outings. Each and every one discovered that after all “everything is something else” and that the ordinary, dull objects and routines provided, after all, stimulating aesthetic suggestions. The mural of the group began to be populated by utensils that until then only knew its functionality in the kitchen, by the details of corners of the house that were always wrapped by its invisibility, the pets, the shadows drawn by the lights … The images captured and published gave us back an almost poetic daily life that the routine of busy days did not let us discover.
For the first time in modern society, there is a “sinless” virus different from AIDS and Ebola that affects all countries and all human beings are potential victims and thus the idea of humanity has become more evident. The sharing of fears, of emotions, of grief has also brought about acts of solidarity whether in cooperation in research, in resource management, in the collective production of culture and its ways of doing it. Social networks have been an instrument of socialization that has allowed us to attenuate the effects of confinement by inscribing ourselves in a closer and more global world.
We do not know how it will be and when the future will be. We don’t know if in a while we won’t have a certain nostalgia for this time contained, confined but, at the same time, solidary and showing how creative and productive humanity is.
Having contributed with this group to this spirit by bringing together works of photographers from so many parts of the world is for us a reason of joy and pride. (Manuela Matos Monteiro)

 


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