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Lugares de Silêncio

27 Mai, 201724 Jun, 2017

Aconteceu no sábado, 27 de maio 2017, pelas 16h no MIRA FORUM a inauguração da exposição individual: “LUGARES DE SILÊNCIO” de BRUNO SIMÕES CASTANHEIRA
Bolsa Estação Imagem 2016 Viana do Castelo
“Os cumes montanhosos das serranias do Gerês estendem-se em tonalidades difusas e traços imprecisos para além da vista do horizonte. O vento corre no silêncio do espaço vazio e reconhece-se tudo a partir do halo físico emanado da massa sólida da criação original. É um lugar perfeito, a morada ideal, onde ultrapassamos a imperfeição da existência. Nesse espaço inteiro, as marcas da milenar ocupação humana revelam-se desapercebidas na tela da paisagem – a ruína de um muro, o vestígio de um caminho. É então que se dá a transmutação de um estado sublime para a contingência da nossa humanidade. E a palavra faz-se carne e passa a habitar entre nós. A partir desse vislumbre de imperfeição, transpomos a concepção da natureza como unidade diferenciada, matéria-prima a partir da qual a vida dos homens é construída. Como em Marx, ela está em “interacção metabólica” com o homem. A natureza produz homens, e os homens transformam a natureza. Gente que molda a paisagem; a paisagem que molda a gente. Até que, no transcorrer silencioso do tempo, gente e paisagem se fazem unidade. Esta transacção faz-se visível com a descida aos povoados. Nas práticas de transumância, na vida com os animais, no cultivo dos campos, nos usos do espaço da casa e da rua. São modos de viver e habitar o mundo em declínio devido a novas ordens de relação social e económica. Desse modo de viver, que não mais faz parte do presente, podemos registar apenas um simulacro. Uma memória que nunca poderá ser memória autêntica, porque esse passado que foi não volta a ser. Dele resta apenas o que é no tempo presente, os seus sinais, os seus traços. É aí que se radica o acto de criação, pela acção voluntária de encontro com as próprias origens, pela relação íntima e desapegada de si com os outros, pela completa imersão na experiência do tempo presente. Para mergulhar nessas águas que abundam em toda a área do Parque, indispensáveis à vida e à fixação do homem, e voltar ao princípio original de todas as coisas. ” (Bruno Simões Castanheira, Abril 2017)


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