Mira Forum
Espaço Mira

O passeio, a escuta e o respirar da acção

O Espaço Mira comemora este ano os 41 anos da Revolução do 25 de Abril a partir de um estudo territorial, histórico e social da freguesia de Campanhã. No ano anterior, as comemorações decorreram também na freguesia do Bonfim tendo sido visitados espaços como o Museu Militar do Porto, a Quinta da China, a Casa Oficina António Carneiro entre outros locais. Campanhã é a maior freguesia da cidade do Porto e a sua importância deve-se ao desenvolvimento agrícola e industrial e ao caminho-de-ferro. A crescente afluência de população à freguesia originou um redesenhar de novas estruturas de alojamento que se tornaram bem características da paisagem física e social, as “ilhas” e os “pátios”. Com o passar do tempo e com as crises socioeconómicas, assistimos ao decréscimo do papel da indústria como principal atividade económica da freguesia, que tem vindo a ser substituída pelas áreas ligadas aos serviços. O Espaço MIRA desenhou um programa constituído por três momentos. No Momento 1 inaugura uma exposição no dia 18 de Abril na galeria com a participação de seis artistas. André Silva apresenta um diário feito a partir de um percurso em Campanhã. Rui Neto traz-nos desenhos que partem do lugar imponente que é o matadouro municipal numa mistura entre a ficção e a realidade. O trabalho de fotografia de Daniel José traz-nos uma imagem do pós-industrial, enquanto que o trabalho de fotografia de Miguel Refresco remete-nos para a atualidade urbana numa sequência de imagens no tempo, quase que um filme. Marco Mendes, através dos seus desenhos, fala-nos de manifestações, contando-nos as suas vivências dos lugares do Porto e as suas inquietações partilhadas com amigos e artistas. No Armazém 4, Filipe Marques apresenta-nos uma obra existencialista que parte de uma investigação exaustiva e de um diagnóstico sócio-territorial da freguesia de Campanhã e das suas dinâmicas, antes e pós 25 de Abril. No Momento II, a ser inaugurado no dia 25 de Abril, a exposição decorre em vários espaços públicos. No auditório da Junta de Freguesia de Campanhã é apresentada uma performance intimista de Gustavo Sumpta onde são desenhados percursos com rolos e, assim, dada a possibilidade ao espectador de construir a sua própria narrativa. No mesmo espaço é projectado um vídeo de Felícia Teixeira e João Brojo, em que nos é dado a conhecer as vivências nas “ilhas”. Na Quinta de Bonjóia é apresentada uma escultura em ferro de Rita Queiroga que remete ao universo dos comboios, das viagens e das descobertas; a obra de José Oliveira resulta de um estudo sociológico da freguesia através de fotografia, vídeo e uma escultura em tijolo que faz referência às antigas chaminés industriais. O autor desenhou ainda um percurso por Campanhã para o dia 25 de Abril. No mesmo espaço poderá ainda assistir-se à performance de Tales Frey, abordando questões sexuais e de género, assim como a instituição casamento. Por fim, a artista Mariana Dias Coutinho apresenta um mural na Rua Pinheiro de Campanhã em que figuras por vezes grotescas do universo feminino, questionam os conceitos de censura e liberdade. No Momento III, no dia 9 de Maio, os artistas, os curadores e o público conversam no Espaço MIRA.

Agradecimentos: aos artistas, curadores, Junta de Freguesia de Campanhã, Quinta de Bonjóia, Oficina de Gravura e Serigrafia da Faculdade de Belas Artes da U. P., Óscar Magalhães, Filipe Oliveira, Cláudia Costa, Ana Amorim, Cláudia Lopes, Sofia Neto, Helena Ferreira, Bárbara Fontes.

José Maia, Maria Côrte-Real e Susana Rodrigues