Mira Forum
Espaço Mira

Saturnidade de Isabel Ribeiro

Esta exposição resulta da recolha de experiências e imagens ao longo dos últimos seis anos a organizar concertos em salas de pequena e média dimensão em Lisboa. O processo de organização destes é muito semelhante ao modo como organizávamos os espaços independentes aqui no Porto no início dos anos 2000, ou seja, com a mesma fragilidade. Tanto os espaços como as acções são gasosas, sem peso, mas simultaneamente gigantes, porque são importantes para os que participam, para os que desfrutam e, mais, para a continuação do trabalho feito. Daí a relação com Saturno, ou a propriedade dos gigantes gasosos que proponho: a Saturnidade.

A exposição apresenta uma série de pinturas em vários suportes de diferentes dimensões, onde a gama cromática varia entre o preto e o branco. Tratam-se de imagens fotográficas que medeio para a pintura. Neste processo valorizo a redução, o ir à essência. Essa simplificação anula uma quantidade de ruídos que a fotografia poderia captar e foca- -se directamente na luz. Temos representações de espaços que intuímos serem palcos, mas desconhecemos as dimensões. Os corpos que habitam esses espaços estão presentes, embora nunca apareçam na sua totalidade. Diluem-se na luz, na sua performance e em alguns casos, no seu contexto.

Na obra Punk, por exemplo, o espaço é outro, são constelações e nebulosas que servem de palco a uma personagem. Mesmo numa das imagens mais estáticas da exposição, que é a obra que lhe dá título, temos um microfone que toma o lugar de um planeta gigante, que ocupa a parede e se torna gasoso ao ser projecção, apresenta-se usado, danificado e amolgado, ou seja, usado em palco.

Cada trabalho presente é uma tentativa de fixar essa saturnidade, sem lhe anular a propriedade.

 

José Maia e Simone Ruivo