Mira Forum
Espaço Mira

QUANDO “TE VÊS” É TUDO

Quando te vês é tudo A instabilidade do objecto da performance não nos permite localizá-la num ponto, mas desloca-se numa cadeia entre a acção, a documentação, os objectos de memória, o testemunho, a partitura…

A performance histórica coloca o corpo no centro da prática artística, constituindo-se enquanto movimento que pensa, desde dentro do corpo inscrito num tempo-espaço, o que acontece quando um corpo age em frente a outro. Perante a proposta da performance, artista e espectadores criam um acontecimento. O campo expandido em que a performance actualmente se inscreve inclui práticas como apresentações mediadas por meios tecnológicos, e mediação através de registos e de objectos de memória. Estas práticas permitem-nos pensar a performance para além do acontecimento.

As práticas artísticas de representação da performance estão desde sempre profundamente ligadas à fotografia. Desde o seu aparecimento os artistas incorporaram o registo fotográfico na performance, assumindo os vestígios da performance ou a sua documentação como parte integrante da sua prática artística e como meio de disseminação da performance. A fixação de imagens hápticas criticamente seleccionadas pelo artista, consciente da documentação como narrativa de uma acção, e que se inscrevem como imagens icónicas, constituem-se muitas vezes como único indício da performance.

Evidentemente que estes registos visuais fragmentários de um processo complementam a documentação em diferentes formatos, proveniente de diferentes fontes, formando uma tecitura que constituirá a memória da performance enquanto proposta artística materialmente efémera. O registo fotográfico acrescenta uma camada visual que informa sobre a linguagem própria dos objectos, a eloquência do material, a indefinível poesia do tempo.

Depois da inscrição da Polis a partir da imagem em movimento na obra de artistas do Porto, no segundo momento deste projecto daremos conta do movimento entre performance e fotografia, dos gestos, dos acontecimentos e das imagens que consti tuem. Apresentaremos dois momentos de materialização de acontecimentos e uma exposição que se constitui enquanto expeausition, segundo a proposta de Jean Luc Nancy em Corpus, pensando a pele que se expele na performance como lugar de acontecimentos de existência, os indícios do corpo e a presença da ausência que permanece.

Apresentamos propostas de artistas de diferentes gerações, desde os anos 60 até à segunda década do século XXI, e faremos a revisitação de obras apresentadas nos anos 80, 90 e 2000, tendo em conta a performatividade do acto de fotografar mas também a performatividade do corpo consciente do acto fotográfico.