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“Filhos do Vento” Exposição de fotografia

2 Jun, 20189 Jun, 2018

de Manuel Roberto.

FILHOS DO VENTO
No tempo da guerra colonial, havia quem lhes chamasse “portugueses suaves”, agora há entre os ex-combatentes quem prefira “filhos do vento”. Mas os filhos de militares portugueses com mulheres africanas não conhecem esse nome poético. Na Guiné-Bissau, foram apelidados de “restos de tuga”, em Angola, “sobras do branco”. Não tinham nascido, ou ainda eram crianças, quando os pais deixaram estes territórios. Hoje, andam na casa dos 40 ou 50 anos, mas quando falam do pai português que querem conhecer é como se voltassem a ser crianças, choram enquanto dizem que se sentem meia-pessoa, incompletos. São filhos que os militares portugueses do tempo da guerra colonial deixaram para trás.
Estas fotografias são da autoria do fotojornalista Manuel Roberto e fazem parte de duas reportagens inéditas divulgadas pelo jornal Público, da autoria de Catarina Gomes, com imagens-vídeo de Ricardo Rezende. Em 2013, a equipa partiu para a Guiné-Bissau em busca de filhos deixados para trás, trabalho que foi distinguido com o Prémio Gazeta Multimédia, pelo Clube dos Jornalistas em 2014. Na sequência desta reportagem, foi criada a Associação Filho de Tuga que deixou no cemitério de Bissau uma coroa de flores ao “pai desconhecido”. Em 2015, a mesma equipa viajou até Angola acompanhando o ex-militar António Bento até ao encontro do filho que não conhecia.
Estas são imagens de algumas das histórias descobertas nestes países. A exposição procura dar visibilidade a um tema tabu na sociedade portuguesa, que tem estado arrumado numa gaveta há mais de 40 anos. Os ex-combatentes deixaram filhos em África. Eles existem, são muitos, e gostavam de conhecer os seus pais portugueses. Uma parte da história de Portugal que tem de ser contada.

No dia da inauguração, pelas 15:00, será apresentado o livro “Furriel não é Nome de Pai” de Catarina Gomes

Manuel Roberto
Nota Biográfica
Nasceu em Moçambique em 1965.
Iniciou a sua carreira nos anos 1985, como fotógrafo de uma editora escolar, INDE, e em simultâneo como fotojornalista e colaborador permanente no semanário moçambicano Domingo.
Em Portugal, trabalhou no Jornal de Notícias e no O Primeiro de Janeiro, antes de integrar em 1994 o jornal Público, onde permanece como fotojornalista e exerce a função de editor de fotografia.
Participou em várias exposições colectivas.
Expôs individualmente em 2015, no Cinema São Jorge, em Lisboa, o seu trabalho “Os Filhos do Vento” – Filhos de ex-combatentes da Guerra Colonial que ficaram em África e gostavam de conhecer os seus pais portugueses.
Prémio Gazeta Multimédia, em 2013, atribuído ao trabalho “Filhos do Vento”, de Catarina Gomes, Ricardo Rezende, Manuel Roberto, Dinis Correia e Andreia Espadinha, um olhar original sobre a guerra colonial e os filhos dos ex-combatentes deixados para trás, sem nunca terem conhecido os pais. Uma reportagem que cruza diferentes meios com grande eficácia, num trabalho de equipa ao melhor nível do ciberjornalismo.
Prémio Gazeta de Imprensa, em 2014, atribuído ao trabalho “A Guerra que Portugal quis esquecer”, de Manuel Carvalho e Manuel Roberto, uma série de reportagens históricas que resgatam do esquecimento o trágico confronto dos militares portugueses com as tropas alemãs, durante a I Grande Guerra, no Norte de Moçambique.


Rua de Miraflor, 155,
4300-334 Campanhã, Porto

terça a sábado,
15:00 às 19:00


miraforum@miragalerias.net
929 113 431 / 929 145 191