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AS GUARDIÃS DE SEMENTES

de Vanessa Ribeiro Rodrigues

MIRA Galerias | MIRA FORUM

Exposição

15.06—27.07.2024

Nestes retratos de olhar direto, as guardiãs de sementes do povo Bijagó encaram-nos com serenidade e força. Fotografei-as nos lugares do quotidiano — casa, quintal, celeiro e mato — onde cultivam e preservam saberes ancestrais ligados à terra.


As comunidades Bijagó, de estrutura matriarcal, vivem nas ilhas Formosa, Nago e Chediã (ou ilha de Maio), na Área Marinha Protegida Comunitária das Ilhas Urok, Guiné-Bissau, reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera. Sábado Maio, Beatriz Lopes, Anjuleta Gomes, Maimuna Augusto, Esperança Correia, Sábado Madjo e Sábado Luís guardam sementes “para o próximo tempo” e semeiam “para outro tempo”, reafirmando o papel essencial da mulher guineense na soberania alimentar, na transmissão de saberes e na resistência às monoculturas e às mudanças climáticas.


As mãos destas mulheres — raízes, ferramentas e memória — mergulham na terra e revelam a ligação espiritual à mata sagrada: são gesto, criação, cura e continuidade.


As Guardiãs de Sementes nasce dessa urgência de documentar o papel das mulheres ancestrais e a sua consciência agroecológica. Iniciado em 2022 com uma bolsa de criação jornalística (ACEP e Instituto Camões), o projeto foi publicado no Público (revista Azul) e no The Guardian, e evolui agora para documentário.


Realizado em fotografia, vídeo e som, este trabalho propõe um olhar ecofeminista sobre a preservação da vida e dos saberes tradicionais, valorizando o tempo lento e contemplativo das ilhas — onde a terra, a chuva e o corpo feminino se tornam guardiões de futuro.


Esta exposição integra o projeto "Chão, Terra, Pessoas" e é apoiado pela República Portuguesa / DGARTES / RPAC

Nota Biográfica

Vanessa Ribeiro-Rodrigues é realizadora, jornalista e investigadora. Doutorada em Estudos em Comunicação para o Desenvolvimento, formou-se em Realização e Guião de Cinema Documental pela Academia Internacional de Cinema de São Paulo e pela EICTV – Cuba. Viveu e trabalhou no Brasil, Jordânia, Moçambique e Guiné-Bissau, desenvolvendo projetos focados em narrativas para a mudança social.


É autora dos documentários Baptismo de Terra (2017), distinguido no Festival de Cinema de Avanca, e dos filmes em pós-produção O Feitiço de Areia e Guardiãs de Sementes. Publicou ainda O Barulho do Tempo (2013), Ala Feminina (2018) e Cadernos de Arte e Comunidade (Fundação Calouste Gulbenkian, 2022).

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