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TAMANHO M
As Medeias
MIRA Galerias | MIRA artes performativas
Evento
14.03.2018
Integrada no programa Tamanho M, esta sessão parte da figura de Medeia — uma das personagens mais complexas e perturbadoras da tragédia clássica — para refletir sobre representações da mulher, da maternidade e da violência ao longo do tempo.
A partir da obra de Eurípides, onde amor, traição e vingança culminam no infanticídio, Medeia surge como um território de tensão entre o íntimo e o político, o humano e o monstruoso. As múltiplas reinterpretações deste mito, no teatro e noutras artes, revelam a sua permanente atualidade e a capacidade de questionar normas sociais, papéis de género e estruturas de poder.
O ponto de partida para esta reflexão é o espetáculo O Deserto de Medeia, com encenação de Luísa Pinto, que convoca novas leituras sobre esta figura trágica. A partir daí, a sessão propõe um espaço de debate que reúne criadoras e investigadoras — Luísa Pinto, Sara Barbosa e Filipa César — para pensar as diferentes abordagens contemporâneas à personagem e às questões que ela levanta.
Entre análise crítica, experiência artística e pensamento partilhado, este encontro procura revisitar Medeia como espelho de conflitos ainda presentes, abrindo espaço para interrogar as narrativas que moldam a representação do feminino, da maternidade e da transgressão.
Nota Biográfica
FILIPA CÉSAR
Filipa César nasceu em Lisboa em 1971 e reside no Porto desde 1981. Licenciou-se em Sociologia em 1994, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (UP). Em 2001, prestou provas de Mestrado em Ciências da Educação, variante Educação e Diversidade Cultural, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UP.
O seu percurso profissional passou pela docência na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, pela reintegração psicossocial de jovens com doença mental de evolução prolongada na ANARP – Associação Nova Aurora na Reabilitação e Reintegração Psicossocial, pela formação em Recursos Humanos em contexto intraempresa ao serviço da MBA – Consultores Interdisciplinares de Gestão, pela gestão de formação em formato de e-Learning na SPI – Sociedade Portuguesa de Inovação, pela consultoria nas áreas de Educação, Formação, Emprego e Desenvolvimento Social em projetos de consultoria para o desenvolvimento regional na Quaternaire Portugal – Consultoria para o Desenvolvimento.
Paralelamente, colaborou de forma pontual em diversos projetos de investigação nas áreas científicas de Sociologia e de Ciências da Educação, tendo-se especializado em métodos e técnicas de análise qualitativos. Desde 2010, dedica-se a tempo inteiro à investigação científica, tendo colaborado como bolseira nos projetos SEARA – Sucesso Educativo e Autonomia Relativa Alargada e SARTPRO – Saberes, Autonomias e Reflexividade no Trabalho Profissional no Terceiro Setor, ambos financiados pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia.
É coautora do manual de Sociologia de 12º ano da Porto Editora, que tem vindo a ser reeditado desde 2006.
Frequenta desde 2014 o Programa Doutoral de Psicologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UP com uma bolsa da FCT. O seu projeto de tese intitula-se “Diferentes modelos de maternidade e suas implicações: Motivações, expectativas e realidades de mães portuguesas”, tema de investigação a que se dedica atualmente.
LUÍSA PINTO
Luísa Pinto é encenadora, docente, investigadora, figurinista e cenógrafa. Mestre em Teatro pela Escola Superior Artística do Porto. Doutoranda em Estudos Teatrais e Performativos na Universidade de Coimbra. Professora na Escola Superior Artística do Porto. Diretora Artística da Companhia de Teatro Narrativensaio-AC. Encenou mais de 30 peças, entre elas, Missa do Galo, Um fio de jogo e Cânticos de Barbearia de Carlos Tê, Mil Olhos de Vidro de Pedro Pinto e Filipe Pinto”, Sicrano de Bergerac de Jorge Louraço, A elegante melancolia do crepúsculo” de Roberto Merino, Trago-te na pele e O Deserto de Medeia de Marta Freitas, Breviário Gota D Água de Heron Coelho a partir da obra de Chico Buarque e Paulo Pontes Caminham nus empoeirados de Gero Camilo, Onde o Frio se demora de Ana Cristina Pereira, Medeia de Eurípedes, O Filho Pródigo de Helder Wasterlain e João Maria André, entre outras. Levou por 10 anos consecutivos os seus espetáculos ao Brasil. Desenhou figurinos para várias companhias de teatro entre elas , Teatro de Marionetas do porto e a “Escola de Mulheres”. Com esta última ainda coproduziu dois espetáculos: Coco Chanel e Maria Callas – O Mito Absoluto. Assinou o guarda-roupa dos filmes Almeida Garrett de Francisco Manso e Alice de Marco Martins. Assina a cenografia e figurinos de todas as suas encenações. Entre 2007 e 2015 foi Diretora Artística do Teatro Municipal Constantino Nery. Foi ideóloga e Diretora Artística do Cena Contemporânea de Matosinhos em Português – Festival de Teatro. Realizou projetos de reinserção social pelo Teatro com reclusos/as. Foi autora e apresentadora de programas de Televisão para a RTPN. Foi diretora de imagem de canais de Televisão como RTPN, MTV Portugal e Porto Canal. Foi Co-realizadora com Caroline Maia do Documentário Rompendo os Muros da Prisão
SARA BARBOSA
Sara Barbosa nasceu em Ponte de Lima, em 1977. É membro fundador, tendo cargo de direção desde 2005, do Cão Danado. Diretora do Espaço Artes Múltiplas no Porto, fez programação, a gestão e direção plástica do mesmo entre 2003/2006.
Profissional de teatro. Iniciou a sua carreira teatral no Grupo de Teatro Sá de Miranda, dirigido por Afonso Fonseca em 1994. Fez o curso de Iniciação Teatral do Teatro Universitário, do Porto e foi colaboradora do Teatro Só, do Porto. Fez formação com André Gago, António Fonseca, João Grosso, João Paulo Costa, Isabel Marado, JoClécio Azevedo, Rogério de Carvalho, Svitlana Aleksandrovna, Pascal-Emmanuel Luneau entre outros.
Fez o curso de Artes Têxteis da Escola Artística de Soares dos Reis tendo trabalhado como figurinista e assistente de figurinos para a Academia de Música do Porto, Espaço Artes Múltiplas, Grupo de Teatro Sá de Miranda, Teatro Só, Espaço Artes Múltiplas, Grupo de Teatro do I.C.B.A.S. e RTP.
Como atriz trabalhou com Afonso Fonseca, António Lago, Cristina Carvalhal, Lautaro Vilo, Júlio Cardoso, Manuel Sardinha, Nuno M. Cardoso e Paulo Castro entre outros.
Trabalhou com as instituições Teatro Nacional S. João, Teatro Carlos Alberto, Teatro Municipal S. Luiz, Teatro Taborda, Academia de Música do Porto, Mosteiro de São Martinho de Tibães, Museu da Tapeçaria de Portalegre Guy Fino, Theatro Circo, Teatro Aveirense, Teatro Municipal de Faro, Teatro Gil Vicente Teatro Helena Sá e Costa, Mosteiro de São martinho de Tibães, Teatro Oficina de Guimarães, Projecto Educativo do Campo Alegre, entre outras.
Encenou Estação. Primavera, e A menina e o Sabão, de sua autoria, Baal Babilónia, de Fernando Arrabal, Diário de um Louco de Nikolai Gógol, Húmus de Raul Brandão, Visões Fugitivas, Medeia de Heiner Muller, Um Olhar a Preto e Branco e Um País na Sombra da Luz de Mário de Cesariny.