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GEOMETRIAS INDESCRITÍVEIS
Maria José Guimarães
MIRA Galerias | MIRA artes performativas
Exposição
22.05—19.06.2021
CLUSTER ó minha irmã, bem incomum, soprano nascida do lodo e do poço ó minha irmã, lugar vivido enquanto os olhos passam pelos cabeçalhos dos jornais descobrindo gente urgente gente atrasada gente adiada ó irmã, imagina tu que o vocábulo respigado na língua do império para servir de emblema à start up nation aos seus nichos de mercado às suas indústrias tão culturais quanto recreativamente criativas designa agora focos de infecção donde partem cadeias de contágio ó irmã, mão de mãe, pau de pai, mostra-me o descascar, o descansar, mostra-me a linha de luar pestanejando mostra-me os longos bocejos e os longos beijos debaixo das árvores mostra-me as vitrinas às escuras e também a escuridão transparente olho por olho lente por lente.
Nota Biográfica
Maria José Guimarães nasceu em 1959, na cidade do Porto. Teria feito 62 anos no passado dia 9 de Maio se ainda estivesse entre nós. Sempre foi um ser singularmente solitário. Prendeu-se aos encantos das belas-artes depois de se ter desgostado com o pouco imaginoso ensino de primária, preparatória e liceu. Frequentou com agrado a Escola Soares dos Reis e depois a ESBAP. Muito jovem, iniciou a sua carreira de docente por esse norte e desnorte fora. Nos últimos anos da sua vida, teve o prazer de regressar à «sua Soares» onde foi professora devota e feliz. Envolveu-se em combates em prol da solidariedade entre artistas plásticos. Nas horas livres pintava. Já no século XXI, dedicou-se à colagem e, sobretudo, aos desenhos mais ou menos geométricos que justificam o nome desta exposição. Fazia-o sossegadamente, pensando com as mãos e agarrando os sinais duma vida que lhe foi fugindo por entre os dedos.