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UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO

MIRA Galerias | Espaço MIRA

Exposição

12.09—31.10.2026

O Espaço MIRA apresenta UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO, projeto artístico, antropológico e curatorial dirigido por Madalena Folgado.

Após quatro momentos de residências artísticas, uma performance sonora e uma apresentação pública no passado mês de Agosto em São Miguel de Acha, Idanha-a-Nova, serão apresentadas obras em vídeo, som, instalação e performance, assim como em projeção que cruza alguns registos das sessões anteriores, referentes ao processo colaborativo com o Grupo de Cantares Tradicionais de São Miguel de Acha e com a Comunidade Surda, na ADEPAC.

Artistas, colaboradores e participantes:

João Brojo, Manuel Santos Maia, Ana Mariz, Filipe Sousa, Alice Guerreiro, Mónica Gomes, Mariana Esteves, António Carrasco, Inês Galhano e a participação especial do Grupo de Cantares Tradicionais de São Miguel de Acha.

SOBRE A EXPOSIÇÃO

Projeto artístico, de arte e sociedade, o MANUAL, como foi o ATLAS e ALMANAQUE, projetos anteriores, são livros criados a partir de experiências em conjunto, naquilo que de mais subjetivo (e singular) uma experiência pode objetivar. Visa abrir a imagem — ou “levantar o véu das imagens” (Llansol), muitas delas do quotidiano da comunidade local — ao seu potencial artístico.

Referimo-nos à tomada de consciência de uma est-ÉTICA do GESTO, em continuum muito para lá da janela de tempo e espaço da existência de cada um. O nosso olhar tem vindo a ser dirigido à sua transmissibilidade silenciosa, cuja metáfora é, também, a surdez física, apta a uma atenção-outra, de imenso valor enquanto artistas. Tal transmissibilidade é da ordem do incomputável, do mais profundo e indestrutível humano — assim pensamos o processo artístico.

Texto sobre o projeto, da autoria da Madalena Folgado

UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO

Aqui, neste Lugar, pensam-se imagens como imargens de um Rio-que-não-cabe-no-tempo, pois atravessa o Curso de Vida que somos sem nos separar do Curriculum Vitae que temos. Em Línguas de Fogo, diz-nos de uma gestação sem princípio nem fim; cada gesto é um remoinho para o Aberto: Uma ancestral canção popular transforma-se no Grande Porto de Partida de Alexandria.

Aqui, tudo se Acha, não existem oportunidades perdidas: A Tridacna Squamosa na qual há 28 séculos, em Assur, a cidade do deus do sol e da guerra, foi gravado no seu interior um músico a tocar adufe, é agora um receptáculo para leis cosmos éticas. Foi receptáculo cosmético de um Feminino que a ninguém pertence e é ainda imagem sonora — klangbilder . Abraça a surdez em gesto, no comprimento das ondas mnésicas do Mediterrâneo; sente a vibração das suas Águas Mentais , para que o silêncio da canção ancestral se veja, toque, cheire, saiba mais.

Este Rio atravessa São Miguel de Acha. É um Corpo de Imagens em Aberto e não as imagens de um corpo — “Não percebo” — muitos dirão: Desmunir-se é a instrução do seu abrir

Eis o Sopro.

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