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Welcome to Paradise

Luís Ribeiro

MIRA Galerias | Espaço MIRA

Exposição

20.11—20.12.2020

Na exposição Welcome to Paradise!, Luís Ribeiro apresenta quatro núcleos de trabalhos nos quais explora questões que o têm vindo a inquietar desde que iniciou o seu percurso artístico: o corpo (na sua relação com o espaço), o acidente e o controlo (ou a falta dele). Partindo de um conjunto de imagens retiradas de redes sociais de acidentes de automóvel, Luís Ribeiro apresenta dois conjuntos de desenhos – Sem título (Série Voyeurs do Desastre) e Sem título (Dead Bodies) – que questionam o (eterno?) fascínio do humano por uma certa ideia de morbilidade, de prazer estético do desastre, de “delightful horror” (segundo Burke). Nestes desenhos, o autor remove o corpo, no entanto, a presença humana “grita”. A ausência do corpo, neste contexto, reforça a tensão entre aquilo que se vê e aquilo que se supõe que aconteceu. Os automóveis acidentados, os aparentes protagonistas destes desenhos, surgem-nos, assim, como corpos disfuncionais. Seguindo a estratégia apropriacionista que atravessa a exposição, o autor presta homenagem a Weegee, usando algumas das suas icónicas fotografias de cenas de crime como ponto de partida para Sem título (The Tourist) e Sem título (Dead on Arrival). Note-se que é apenas nestas obras (e em mais uma da série Voyeurs do Desastre) que o corpo humano está representado. A experiência do drama é, assim, mediada pela natureza humana (pelo corpo humano). Sem título e I feel attracted but I don’t know why, respetivamente a obra que abre e a que encerra a exposição, são fotografias cedidas pela Divisão Criminal da PSP de locais/cenas de acidentes. Estas imagens remetem-nos para uma figuração do corpo através da representação da sua ausência: temos os referentes, mas não os referidos, intensificando-se, desta forma, o dramatismo do olhar sobre o acontecimento. A dimensão sonora do vídeo Welcome to Paradise, filmado entre Portugal e o Japão, intensifica a experiência do espectador na exposição. A tensão é reforçada pela sucessão das imagens, como se algo estivesse na iminência de acontecer. Welcome to Paradise! apresenta-se-nos como uma exposição sensorial (no campo da experiência física), na qual interessou ao artista, para além das questões formais (ou visuais), apresentar um conjunto de obras que remetam para um leque variado de experiências. Tensão, drama, expectativa, dor, desconforto: tudo isto encontramos na exposição de Luís Ribeiro. Bem-vindos ao (novo) paraíso!


Curadoria de Raquel Guerra

Nota Biográfica

Luís Ribeiro nasceu em Guimarães em 1982.Artista visual, professor e curador.Doutorando em Arte Contemporânea (Colégio das Artes, UC), mestre em Práticas Artísticas Con-temporâneas (FBAUP) e em Ensino das Artes Visuais (FPCEUP), licenciado em Desenho (ESAP) ebacharel em Artes Plásticas – Desenho (ESAG).Luís Ribeiro expõe, individual e coletivamente, desde 2003.Este autor tem vindo a desenvolver uma pesquisa em torno do corpo, do espaço, do controlo (ou dafalta dele) e do desastre, questionando a perceção destes conceitos e a possibilidade da sua represen-tação. A sua pesquisa não se foca exclusivamente em questões formais (ou visuais): a Ribeiro interessaconcretizar obras que remetam para um leque variado de experiências (ou sensações).


Raquel Guerra nasceu no Porto, em 1976.

Formação em História (UPT) e pós-graduação em Estudos Museológicos e Curatoriais (FBAUP).Atualmente a realizar doutoramento em Arte Contemporânea (Colégio das Artes, UC).

Curadora e investigadora.

Como investigadora participou nos projetos

Anamnese_Plataforma Digital sobre Arte Contemporânea de/em Portugal entre 1993 e 2003 (Fundação Ilídio Pinho, Porto) e IDAP S20_Interface Digital da Arte Portuguesa do Século XX (Universidade Católica Portuguesa Porto).

Bolseira em 2011 da Fundação Calouste Gulbenkian para realização de residência curatorial no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo)_Residência Capacete.

Lecionou na pós-graduação em Fotografia, Projeto e Arte Contemporânea do IPA, Lisboa.

Tem-se dedicado à gestão de coleções de arte contemporânea: Coleção Marín.Gaspar, Coleção Norlinda e José Lima e Coleção Treger/Saint Silvestre.

Diretora do Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, S. João da Madeira, entre 2014 e 2017. Diretora do Centro de Arte de S. João da Madeira entre 2015 e 2017.

Escreve regularmente para catálogos e publicações de Arte.

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