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MARGENS
MIRA Galerias | MIRA FORUM
Exposição
6.04—20.04.2024
“As maravilhas da vida diária são emocionantes; nenhum realizador de cinema pode retratar o inesperado que se encontra na rua. “
Robert Doisneau
As fotografias que recebemos vindas de diferentes partes do mundo confirmam a afirmação do grande fotógrafo que celebrou com as suas imagens a fotografia a preto e branco. E é sempre com emoção que recebemos pedaços de vidas que acontecem no grande cenário humano que é a rua onde as pessoas se movem ou estacionam os corpos: nos passeios das ruas, nos átrios dos edifícios, nas estações e carruagens de comboios, nos parques e jardins, nos cafés, nos museus, nas igrejas, numa grande avenida ou também numa rua estreita de uma aldeia.
A fotografia mobile – captada e editada com dispositivos móveis
favoreceu a captura dos momentos únicos e irrepetíveis que acontecem num tempo e num espaço definidos pelos relógios e geografias. A discrição do smartphone liberta o fotógrafo do constrangimento que uma câmara comum provoca. A rua não se sente ameaçada por um dispositivo que todos trazem no bolso e, por isso, o fotógrafo conhece uma nova liberdade. A sua invisibilidade favorece a captura do instante sem o perturbar: um beijo, um sono, um choro, um olhar cúmplice, um grito.
Na Fotografia de Rua – que não é fotografia de arquitetura - o elemento mais marcante é o ser humano que pode ser presente por uma sombra ou silhueta indistinta, quase um fantasma, ou de forma manifesta integrado numa multidão, num grupo, ou solitário a remoer pensamentos. O cenário pode variar, dos lugares frios e agrestes aos lugares quentes e relaxados mas as vidas humanas regem-se pelas mesmas necessidades que se manifestam em comportamentos que a Fotografia de Rua retrata: a descansar, a trabalhar, a brincar, a comer, a ler, a rezar, a dançar, a dormir, a rir ou a chorar ...
É este mundo diverso e colorido pelas diferenças e semelhanças que manifesta de forma mais genuína a Humanidade.
Manuela Matos Monteiro